quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Manaus - a perda da Natureza como valor estético


Não sei quando começou nem como por aqui chegou. Só sei que se proliferou rapidamente que nem praga, não escolhendo idade e tamanho de seus hospedeiros. Só sei que a minha querida e "européia" Manaus, uma jovem senhora de mais 340 anos, tem sido uma de suas vítimas preferencias.

Trata-se da síndrome da ant-inatureza, doença adquirida por doses cavalares de desmatamentos,
Este quadro sintomático pode ser identificado quando se observa os espaços públicos desmatados, rios, lagos e igarapés obstruídos, poluídos ou simplesmente desaparecidos em curto espaço de tempo pela volúpia dos construtores e pela cegueira disfarçada dos gestores públicos.

As florestas nativas, cada vez mais distantes da cidade, representam o atraso na nova estética urbana, e precisam urgentemente serem extirpadas, como um tumor. No seu lugar, multiplicam-se ambientes com predominância de gramíneas, e espécies importadas, como o caso das palmeiras imperiais

Na primeira década do século passado, para atenuar o forte calor os espaços públicos de Manaus eram arborizados também com algumas espécies exóticas de copas densas como os Oitis, Benjamins e Mangueiras como mostra a foto acima.
Os espaços privados como shoppings centers e condomínios fechados passam a ser referências de cultura e lazer, enquanto ruas, praças e parques são projetados, não mais para socialização de seus habitantes, mas apenas para o direcionamento do tráfego. Assim, neste novo modelo de cidade o carro passa a ser o cidadão principal.

Como resultado desse processo degenerativo tem-se uma cidade feia, suja ,deprimente e desumana, em cujas ruas circula um novo ser, o urbanóide. Ser estranho, egoísta, individualista, robótico, desprovido de criticidade, sem memória, sem sentimento coletivo e, portanto não mais um cidadão.

A cura, se houver, será sofrida e resultante de um longo processo de lutas entre os homens, no cenário local e global. Daí sairá os princípios e os valores que formarão um DNA curativo, mutante, não genético mas ético, sobre o qual uma nova cidade surgirá.

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